No post sobre Terceira Idade e dietas da Moda, falei sobre como somos massacrados pela mídia em relação a fazer qualquer sacrifício para ter um corpo magro. Mas, quero ir um pouco mais além. A sociedade contemporânea faz uma apologia de culto ao corpo, na qual a preocupação com a imagem tem se tornado excessiva e crescido a níveis exponenciais. E esta busca desenfreada pelo corpo perfeito e pela beleza – e por que não dizer juventude? – a qualquer custo atinge indivíduos de qualquer faixa etária, inclusive os da Terceira Idade que, inconformados com as mudanças inerentes a esta etapa da vida, começam a fazer extravagâncias que, muitas vezes, podem comprometer a saúde.

É bem certo que, para muitos, não é fácil aceitar que o tempo está passando e que, com isso, o corpo já não é mais o mesmo, inclusive, com gordurinhas indesejadas aqui e acolá. Na contramão, a expectativa de vida atual é bem maior que as dos nossos avós e, a cada dia, a ciência descobre novos tratamentos e curas para doenças que, antes, representavam o fim da vida. Sem contar na indústria cosmética que, com seus lançamentos “milagrosos”, promete acabar “definitivamente” com as rugas, celulite e estrias, devolver a firmeza da pele e os cabelos perdidos. Isso sem contar nas cirurgias plásticas e nos exercícios físicos em quantidade desmedida.

Buscando o amor e a aceitação por intermédio do corpo perfeito – Mas, eu pergunto: para que isso tudo? A resposta não é tão simples assim: vivemos em um mundo que valoriza mais o exterior que o interior, mais o ter do que o ser e, no fundo no fundo, acreditamos que se formos bonitos por fora, seremos amados independentemente do que está no interior. Quem não ama e não gosta de estar perto do que é belo? Que mulher não se sente feliz ao ouvir que “minha mãe/avó não aparenta a idade que tem”? Que homem mais maduro não gosta de receber elogios dos mais jovens, homens ou mulheres?

Cuidar de si, do seu corpo, querer estar bem vestido não é pecado e é até muito importante. Mas, é preciso ter em mente que a vida está além disso e de nada adianta uma pessoa linda por fora, mas infeliz por dentro. O corpo passa e o que fica são as experiências e histórias que compartilharemos com quem nos é caro. Outro ponto fundamental é que o corpo ideal é algo que não existe. O corpo ideal é o seu. Dá para melhorar? Sim, é possível eliminar alguns quilinhos para ficar melhor e mais saudável – que é o que realmente importa. O importante é a sua saúde. Se seus exames estiverem bons, maravilha! Você já é perfeito como é. Ame-se acima de tudo e conquistará o amor de todos a sua volta.

Em caso de dúvidas, consulte seu médico e seu nutricionista. Estes profissionais estão aptos a conversar sobre essas inseguranças que atingem até o mais belo dos mortais e, caso seja necessário, eles darão o encaminhamento para um terapeuta que ajudará a sanar estas questões. Seja feliz!