A bem da verdade é que, muito além do óleo, a soja é um alimento que divide opiniões. Há especialistas que recomendam seu uso, sobretudo por seu alto teor proteico e as isoflavonas. Em contrapartida, outra corrente é contra seu uso, justamente por conta das isoflavonas e das proteínas, que não têm o mesmo valor biológico que as proteínas de origem animal. Ou seja, a soja é um alimento cercado por mitos, verdades e controvérsias, muitas controvérsias.

Cultivada inicialmente na Ásia, há mais de 5 mil anos, a soja passou a ser explorada comercialmente no Ocidente apenas na segunda década do século XX, nos Estados Unidos. Já no Brasil, seu cultivo passou a acontecer em meados dos anos 1950. Atualmente, o país produz cerca de 75 milhões de toneladas por ano. Com esta grande marca e por conta de tudo o que já foi divulgado pela mídia, sempre fica a dúvida: alimento funcional e saudável ou um veneno para a saúde?

Comecemos pelas verdades – A soja é um alimento altamente nutritivo, rica em fibras, carboidratos, vitaminas K, E e C; minerais como cálcio, potássio, ferro, fósforo e magnésio; gorduras saturadas, mono e poliinsaturadas – em breve, farei um post esclarecendo os diversos tipos de gorduras e seus benefícios. Assim, o grão possui componentes que contribuem para a redução dos níveis do colesterol ruim, o LDL, e ajuda a aumentar os níveis de HDL, o colesterol bom.

Outro benefício muito conhecido da soja se refere às isoflavonas. O hormônio estrogênio é fundamental para o funcionamento do organismo feminino. Mas, com o passar do tempo, sua produção começa a diminuir e, aí, têm início o período tão temido das mulheres: a menopausa. As isoflavonas, também chamadas de fitoestrogênios, se assemelham em sua composição química ao estrogênio. E, ao consumir soja e seus derivados, como a proteína texturizada (PTS) e o leite – em breve, também farei um post sobre leites vegetais, incluindo o de soja – o organismo passa a reconhecê-las como um hormônio natural e, como consequência, os sintomas da menopausa são atenuados.

Muitos mitos ao redor de um grão milenar – Da mesma forma que a presença das isoflavonas na soja fazem tão bem, também há mitos que as cercam. Um destes principais mitos está relacionado ao desenvolvimento de características femininas em homens, em decorrência do alto consumo desta substância.

O mesmo está ligado ao desenvolvimento de características femininas em meninos e pode alterar o desenvolvimento sexual das meninas. Isto pode ser considerado um mito já que, em ambos os casos, não há provas conclusivas que apontam que estes fitoestrogênios possam causar tais efeitos. Mas, é importante salientar que, a ingestão de soja e seus derivados é recomendada apenas a crianças acima de seis meses de idade desde que faça parte de uma alimentação equilibrada e, acompanhada, se possível, por um nutricionista.

E, por fim… as controvérsias – Como todo alimento considerado funcional, o consumo de soja também está cercado de controvérsias. Uma delas se refere, principalmente à capacidade de combater alguns tipos de cânceres, como os de mama. Alguns especialistas são taxativos ao afirmarem que a soja é, sim, capaz de evitar o aparecimento de tumores nas mamas, sobretudo quando o consumo do grão e de seus derivados começa na infância ou adolescência. No entanto, outros aconselham que pacientes que já tenham histórico de câncer na família devem manter distância ou consumir soja com moderação, sempre com acompanhamento médico e nutricional.

Além disso, praticamente toda a soja plantada no Brasil e no mundo é geneticamente modificada, indicada nas embalagens com aquele T dentro de um triângulo amarelo. Em relação a isso, ainda não existem pesquisas conclusivas e será necessário, ainda, uma pesquisa com longo tempo de duração para mostrar quais os benefícios ou malefícios que o consumo da soja transgênica é capaz de trazer ao organismo e ao meio ambiente.

Com isso, como em toda a vida, a palavra de ordem é e sempre será moderação. Procure consumir alimentos de marcas idôneas e reconhecidas no mercado e, em caso de dúvidas, sempre procure um médico e um nutricionista.