Sabe quando bate aquela vontade de comer algo, pode ser um bolo, um prato de macarronada, uma coxinha ou chocolate e você não se contenta apenas com um pedaço, algumas garfadas ou pouca quantidade e, mesmo com aquela sensação terrível de estufamento, ainda precisa comer o bolo inteiro, a panela toda de macarrão, várias coxinhas ou uma barra de chocolate inteira para saciar esta vontade? Se isso já lhe aconteceu repetidas vezes e vem se tornando uma constante, cuidado! Pode ser compulsão alimentar. E para que esta situação não se repita, é preciso que se conheça suas causas, tratamento e como evitar.

Antes de mais nada, é preciso transcender o senso comum e eliminar a falsa ideia de que compulsão alimentar é coisa de “gente sem vergonha que não tem o que fazer”. Não, a coisa é bem mais grave. A compulsão alimentar é uma doença mental que atinge homens e mulheres de qualquer idade – sejam crianças, adultos ou Terceira Idade – e a pessoa afetada sente uma tremenda necessidade de comer, ainda que esteja sem fome e como sem parar mesmo depois de satisfeita. Lembra do lance de comer todo o bolo e não apenas uma fatia ou da barra de chocolate inteira? Pois então… Assim, quem sofre com esta condição perde o controle e é capaz de comer grandes quantidades de alimento em pouquíssimo tempo.

Quais as causas da compulsão alimentar?

• Comer por conforto emocional: sabe quando você está estressado e dá aquela vontade de comer algo? As mudanças emocionais, como tristeza, medo, alegria podem ser gatilhos.

• Estresse: está com muito trabalho, o chefe está pegando no pé ou o dinheiro está curto? Uma forma de compensar isso pode ser descontando na comida.

• Problemas com a imagem corporal: quem sofre com isso, em geral, não gosta do que vê refletido no espelho. Pior:  quem está descontente com seu peso e sua aparência, acaba adotando  dietas restritivas e da moda (confira aqui o post sobre este assunto) ou até tomando medicamentos para emagrecer, o que pode levar a um agravamento do caso.

• Dietas restritivas: é muito comum as pessoas que passam por dietas restritivas apresentarem depressão por serem privadas de diversos alimentos. Assim, quanto mais restritiva, maior o desejo por comer o que não é permitido nas dietas e isto é um forte gatilho para a compulsão alimentar.

• Problemas emocionais mais graves: a compulsão alimentar pode surgir em decorrência de traumas ligados ao passado como abuso sexual ou algum outro tipo de violência, acidentes, abortos… É muito comum, nestes casos, a associação com outras práticas como vomitar após comer ou fazer uso de laxantes como forma de compensação.

Quais os principais sintomas e comportamentos de quem sofre de compulsão alimentar?

• Comer quando não está com fome
• Comer mais rápido do que o normal
• Continuar comendo mesmo quando já está saciado
• Comer sozinho ou escondido
• Sentir-se triste ou culpado por comer demais
• Inventar desculpas para não sair com a família ou amigos e ficar em casa comendo
• Sentir-se controlado pela comida
• Fingir que come adequadamente na frente dos outros e comer escondido depois
• Manter comida escondida no quarto
• Levantar no meio da noite para comer

Como são feitos o diagnóstico e o tratamento?
Se você sofre com alguns destes sintomas ou conhece alguém que passa por esta situação, indique ajuda médica. Somente um médico está apto a avaliar o histórico familiar, bem como as informações do paciente e diagnosticar se os sintomas relatados estão associados a uma compulsão alimentar.

Detectado o problema, o próximo passo é a consulta com um psiquiatra que, se julgar necessário, indicará acompanhamento psicológico para tratar das causas que agem como gatilho da compulsão. Outro ponto importante é procurar um nutricionista que oferecerá acompanhamento alimentar adequado, já que quem sofre com este problema pode apresentar graves complicações de saúde.

Fazendo tratamento adequado, é possível amenizar e até curar a compulsão alimentar. A comida é basicamente fonte de energia e nutrientes e não deve ser tratada como uma muleta ou válvula de escape. Lembre-se: em caso de dúvidas, não hesite em procurar seu médico e nutricionista de confiança.