Aos 96 anos, dona Marieta* passou a ter problemas para sentir o sabor dos alimentos, também chamada de perda da palatividade – o que é muito comum em pacientes idosos. Com isso, sua vontade de comer diminuiu drasticamente levando a um emagrecimento progressivo e perda de massa muscular. Ela se tornou tão fraca a ponto de se locomover somente com o auxílio de uma cadeira de rodas. Além disso, a deficiência nutricional fez com que seu médico aventasse a possibilidade de introduzir alimentação via sonda nasogástrica (pelo nariz). Felizmente, um atendimento nutricional adequado foi capaz de auxiliar na melhoria da qualidade e do estado nutricional.

Sofrendo de demência, dona Marieta* já tinha uma rotina alimentar pré-estabelecida, sendo sopas os pratos mais recorrentes em sua dieta. Mesmo driblando a doença mental e sabendo de cor seus alimentos favoritos, o pouco volume ingerido não era capaz de suprir as necessidades nutricionais. Com isso, a partir de uma análise não apenas do que ela comia, mas também de seu comportamento e do ambiente durante as refeições, realizamos mudanças pontuais, mas muito significativas. Entre elas, a troca da toalha e das louças coloridas por algo mais neutro e que não chamasse a atenção a ponto de causar distrações em relação aos alimentos.

Alimentação balanceada e suplementação: melhora na qualidade de vida

Além destas medidas simples, foram feitas adequações à dieta de dona Marieta*. Por se alimentar muito de sopas, a cozinheira e cuidadora aprenderam a fazer caldos reforçados, com proteínas, legumes e mais gordura. Também foi prescrito um suplemento para melhorar a sarcopenia, que é a perda de massa muscular e força óssea. Por não possuir nenhum problema crônico, como diabetes, dislipidemia ou hipertensão arterial, a tarefa de elaborar uma dieta mais rica em calorias e nutrientes se tornou um pouco mais fácil.

Outro ponto importante foi ou aumento no número de refeições. Comendo mais vezes ao dia, mesmo em pouca quantidade, a ingestão de nutrientes passou a ser maior. Ao longo do tempo, foram realizadas adequações na dieta e nas suplementações até chegar aos níveis adequados. Atualmente, de acordo com exames laboratoriais, os níveis de vitaminas e minerais chegaram aos níveis normais para a idade.

A boa notícia é que com o aporte proteico e calórico acompanhado de suplementação de vitaminas e minerais e acompanhamento nutricional mensal, dona Marieta está muito mais forte – o suficiente para se levantar da cadeira de rodas e ensaiar alguns passos.

Atenção especial à dentição

Além da prescrição de dieta e suplementação que promoveram a recuperação de dona Marieta, outro ponto importante foi a atenção especial à dentição. Ao longo do tempo, o idoso perde a força da mastigação e pode ocorrer perda dentária levando à dor e ao desconforto.

Desta forma, torna-se um ciclo vicioso culminando na fraqueza e desnutrição por falta da ingestão da quantidade adequada de nutrientes.

Com isso, recomenda-se ao idoso e a seus familiares, além de visitas de rotina à nutricionista e ao médico de confiança, consultas regulares também ao dentista.  Desta forma, com um trabalho multidisciplinar, acompanhamentos de rotina e envolvimento familiar, o idoso poderá ter mais saúde e qualidade de vida.

* Ocultei o real nome da minha paciente a pedido da família.