Quem nunca se irritou, ao menos uma vez na vida, com aquela barriguinha proeminente que insiste em cair pelo cós da calça mesmo prendendo a respiração. Se quando mais novos, em que o metabolismo está a plenos vapores, o excesso de peso é algo que incomoda e contra o qual muitos lutam por meio de dietas e exercícios físicos, com o passar dos anos não é diferente. No entanto, com a chegada da Terceira Idade, perder peso torna-se uma tarefa das mais árduas. E é aí que mora o perigo já que, na ânsia de se mostrar “enxuto”, mesmo com “anos a mais”, muitos idosos apelam para dietas restritivas e da moda estampadas nas capas das revistas ou em livros considerados best-sellers.

Parece incrível, mas a cada momento, cientistas parecem descobrir uma nova dieta, algo que se mostra revolucionário e que promete o mínimo – ou zero – de efeitos colaterais, “se seguidas à risca todas as recomendações”, como bem determinam. Low carb, low fat, jejum intermitente, sem gluten, sem lactose, Dukan, Nova Dukan, Atkins, Mediterrânea são algumas das opções disponíveis na internet e na banca da esquina. Mas, estas dietas são, de fato, recomendadas a quem pertence à Terceira Idade? A resposta é não.

Por que ganhamos mais peso na Terceira Idade? – A alteração de peso é algo bastante comum a quem já passou dos 50. Mais do que isso, a forma como a gordura se distribui no corpo muda drasticamente e se acumula principalmente na parte superior do corpo, sobretudo nas mulheres.

Isto acontece porque há redução da produção dos níveis de estrogênio, testosterona e de hormônio do crescimento, o que faz com que haja também uma perda muscular. Com isso, queimamos menos calorias que o normal, já que os músculos são fundamentais neste processo. Desta forma, o organismo começa a pensar que é necessário estocar energia e é daí que vem o aumento de peso.

Dietas restritivas e seus males – Toda dieta que promete redução rápida de peso por meio da restrição de ingestão de algum nutriente não pode ser considerada saudável. E a própria denominação já diz o porquê. Ao restringirem a ingestão de determinados nutrientes, pode-se causar desequilíbrios no organismo.

As dietas low carb, por exemplo, podem levar a um quadro de acidose metabólica, que é caracterizada por hiperglicemia, vômitos e dificuldade de respirar. Isto acontece porque a principal fonte de energia do cérebro é a glicose e, quando se restringe seu consumo, o organismo buscará fontes alternativas, como o fígado e os músculos. E, neste caso, o idoso que sofre com diabetes colocará sua vida em risco.

Outra forma de perder peso muito usada e propaga por celebridades que emagreceram muito é o jejum intermitente. Seu funcionamento é baseado em longos períodos sem ingestão de alimentos, que podem variar entre 12 a 24 horas. Esta prática pode levar à falta de vitaminas, sais minerais, hipoglicemia e até desidratação. Além disso, no período permitido, o paciente comerá tudo o que vir na frente, o que pode levar a uma compulsão alimentar, algo também muito comum na Terceira Idade.

Além disso, um dos grandes problemas das dietas restritivas é que, justamente por conta do seu mecanismo de funcionamento, as pessoas não conseguem segui-las por muito tempo já que as mudanças propostas não estão de acordo com sua rotina alimentar. Desta forma, ao abandona-las, pode haver um ganho de peso muito maior que aquele perdido durante o período em que se esteve sob restrição.

Com isso, idoso ou não, deixe de lado as dietas da moda e adote hábitos saudáveis. A melhor solução para eliminar o excesso de peso ainda é uma alimentação equilibrada combinada a exercícios físicos moderados. Além disso, sempre que possível, consulte um médico e um nutricionista de confiança.